sábado, 20 de março de 2010

PALAVRA DE AFRODITE:


Eu sou Senhora do sangue sagrado. A meretriz dos sucos vaginais. Sou aquela que encarna o pecado e habita as grutas infernais. Fui eu que te dei o desejo que desenhei no teu corpo todos os riscos do sexo. Fui eu que te embalei nos braços e disse a todas que eras mulher. Sou eu que ainda te guio nos descaminhos que inventaste. Sou eu que sustento as violações de um corpo que mutilaste. Tu, que és parte de mim mesma, esqueceste o lugar que te gerou. Tomaste um rumo avesso e contrário e renegaste quem te criou. Mas tu és lua, mulher e loba, e serás assim até o instante final. Não serás ferida, porque és cura. Não será dor, porque és prazer. Não serás culpa, porque és vida. Não serás certeza, porque és abismo!"

O Evangelho Segundo Heidi


Não haveria, nem Antigo, nem Novo, nem ultrapassado ou contemporâneo.
Não haveria a Bíblia, nem religião ou homens a enlouquecerem por causa dela.
Não haveria quem o escrevesse, nem mãos para segurar a pena, nem tinta para que pudesse ser escrito.

O Demônio Usa Batina.


Estou horrorizado! Como pessoas que fazem voto de castidade, que juram a comunhão com Deus por todos os dias de suas vidas, que se privam de todo e qualquer sentimento ou desejo carnal, podem se dizer servos de Deus, servos do Senhor, quando estupram menores como forma de punição, ou pior, como apenas forma de se dar prazer?
Os representantes das instituições religiosas da Igreja Católica perderam todos os direitos de se defender diante de tal escândalo. Nem pedido de desculpas, nem carta do Papa, podem tirar da mente das pessoas o horror que é ser obrigado a entregar o corpo a um Padre, a um Bispo, ou seminarista. E os representantes da Igreja ainda se julgam no direito de perdoar?
Meus queridos, nem DEUS os perdoa por esse pecado. Foi a isso que se reduziu o amor ao próximo, ao estupro de uma criança, a defloragem de um ser cujo pensamento nem tem conhecimento de tais desejos inconseqüentes de um corpo já privado de sexo a muito tempo?
Os Padres, Bispos, Arcebispos, e talvez até o próprio Papa, são verdadeiros Demônios vestindo a batina da caridade, da pobreza, do celibato, da pureza.
Essas pessoas não merecem o cargo que ocupam dentro da "casa de Deus". Essas pessoas merecem ter o pior dos castigos: sofrer amargamente no fogo do Inferno, e lá pagar por tudo o que fizeram.
Desculpe-me bom velhinho Joseph Ratzinger, nem mesmo sua carta pedindo perdão pelos atos cometidos pelos Padres irlandeses pode apagar isso da memória dos pais,dos parentes e amigos daqueles que foram violentados.
E vou mais além, por que também não pediu perdão ao mundo pelo seu irmão, também acusado de pedofilia, e por que não pedir perdão ao mundo pelo senhor mesmo, acusado de abrigar um padre acusado de pedofilia. Por que, Santo Papa?
Os papéis agora se inverteram. Os representantes da Igreja Católica Apostólica Romana viraram os vilões. E quem será o "mocinho" dessa vez?

sexta-feira, 19 de março de 2010

Quantos Haitis?

O Texto a seguir faz parte do blog O Caderno de José Saramago, escritor sensato e de grande inteligência, e que achei de alguma importância para postar aqui no Meu Caderno.


No Dia de Todos os Santos de 1755 Lisboa foi Haiti. A terra tremeu quando faltavam poucos minutos para as dez da manhã. As igrejas estavam repletas de fiéis, os sermões e as missas no auge… Depois do primeiro abalo, cuja magnitude os geólogos calculam hoje ter atingido o grau 9 na escala de Richter, as réplicas, também elas de grande potência destrutiva, prolongaram-se pela eternidade de duas horas e meia, deixando 85% das construções da cidade reduzidas a escombros. Segundo testemunhos da época, a altura da vaga do tsunami resultante do sismo foi de vinte metros, causando 600 vítimas mortais entre a multidão que havia sido atraída pelo insólito espectáculo do fundo do rio juncado de destroços dos navios ali afundados ao longo do tempo. Os incêndios durariam cinco dias. Os grandes edifícios, palácios, conventos, recheados de riquezas artísticas, bibliotecas, galerias de pinturas, o teatro da ópera recentemente inaugurado, que, melhor ou pior, haviam aguentado os primeiros embates do terramoto, foram devorados pelo fogo. Dos 275 mil habitantes que Lisboa tinha então, crê-se que morreram 90 mil. Conta-se que à pergunta inevitável “E agora, que fazer?”, o secretário de Estrangeiros Sebastião José de Carvalho e Melo, que mais tarde viria a ser nomeado primeiro-ministro, teria respondido “Enterrar os mortos e cuidar dos vivos”. Estas palavras, que logo entraram na História, foram efectivamente pronunciadas, mas não por ele. Disse-as um oficial superior do exército, desta maneira espoliado do seu haver, como tantas vezes acontece, em favor de alguém mais poderoso.

A enterrar os seus cento e vinte mil ou mais mortos anda agora o Haiti, enquanto a comunidade internacional se esforça por acudir aos vivos, no meio do caos e da desorganização múltipla de um país que mesmo antes do sismo, desde gerações, já se encontrava em estado de catástrofe lenta, de calamidade permanente. Lisboa foi reconstruída, o Haiti também o será. A questão, no que toca ao Haiti, reside em como se há-de reconstruir eficazmente a comunidade do seu povo, reduzido não só à mais extrema das pobrezas como historicamente alheio a um sentimento de consciência nacional que lhe permitisse alcançar por si mesmo, com tempo e com trabalho, um grau razoável de homogeneidade social. De todo o mundo, de distintas proveniências, milhões e milhões de euros e de dólares estão sendo encaminhados para o Haiti. Os abastecimentos começaram a chegar a uma ilha onde tudo faltava, fosse porque se perdeu no terramoto, fosse porque nunca lá existiu. Como por acção de uma divindade particular, os bairros ricos, em comparação com o resto da cidade de Porto Príncipe, foram pouco afectados pelo sismo. Diz-se, e à vista do que aconteceu no Haiti parece certo, que os desígnios de Deus são inescrutáveis. Em Lisboa as orações dos fiéis não puderam impedir que o tecto e e os muros das igrejas lhes caíssem em cima e os esmagassem. No Haiti, nem mesmo a simples gratidão por haverem salvo vidas e bens sem nada terem feito para isso, moveu os corações dos ricos a acudir à desgraça de milhões de homens e mulheres que não podem sequer presumir do nome unificador de compatriotas porque pertencem ao mais ínfimo da escala social, aos não-ser, aos vivos que sempre estiveram mortos porque a vida plena lhes foi negada, escravos que foram de senhores, escravos que são da necessidade. Não há notícia de que um único haitiano rico tenha aberto os cordões ou aliviado as suas contas bancárias para socorrer os sinistrados. O coração do rico é a chave do seu cofre-forte.

Haverá outros terramotos, outras inundações, outras catástrofes dessas a que chamamos naturais. Temos aí o aquecimento global com as suas secas e as suas inundações, as emissões de CO2 que só forçados pela opinião pública os governos se resignarão a reduzir, e talvez tenhamos já no horizonte algo em que parece ninguém querer pensar, a possibilidade de uma coincidência dos fenómenos causados pelo aquecimento com a aproximação de uma nova era glacial que cobriria de gelo metade da Europa e agora estaria dando os primeiros e ainda benignos sinais. Não será para amanhã, podemos viver e morrer tranquilos. Mas, di-lo quem sabe, as sete eras glaciais por que o planeta passou até hoje não foram as únicas, outras haverá. Entretanto, olhemos para este Haiti e para os outros mil Haitis que existem no mundo, não só para aqueles que praticamente estão sentados em cima de instáveis falhas tectónicas para as quais não se vê solução possível, mas também para os que vivem no fio da navalha da fome, da falta de assistência sanitária, da ausência de uma instrução pública satisfatória, onde os factores propícios ao desenvolvimento são praticamente nulos e os conflitos armados, as guerras entre etnias separadas por diferenças religiosas ou por rancores históricos cuja origem acabou por se perder da memória em muitos casos, mas que os interesses de agora se obstinam em alimentar. O antigo colonialismo não desapareceu, multiplicou-se numa diversidade de versões locais, e não são poucos os casos em que os seus herdeiros imediatos foram as próprias elites locais, antigos guerrilheiros transformados em novos exploradores do seu povo, a mesma cobiça, a crueldade de sempre. Esses são os Haitis que há que salvar. Há quem diga que a crise económica veio corrigir o rumo suicida da humanidade. Não estou muito certo disso, mas ao menos que a lição do Haiti possa aproveitar-nos a todos. Os mortos de Porto Príncipe foram fazer companhia aos mortos de Lisboa. Já não podemos fazer nada por eles. Agora, como sempre, a nossa obrigação é cuidar dos vivos.

quinta-feira, 18 de março de 2010

O Fantástico Mundo de Heidi: A Passeata Contra a Distribuição Dos Royalties de Petróleo.

Meu Deus! Sabe quando tu pensa que as coisas vai dar certo, mas no final sai tudo errado. Foi assim que aconteceu quando aquela cambada toda foi pro Centro do Rio de Janeiro, protestar contra essa tal de distribuição de royalties. Inclusive eu.
Mas pra falar a verdade, nem eu mesma sabia o que tava fazendo lá. Pra que tudo isso?Tudo bem que distribuir a dinheirama dos Estados produtores de petróleo vai atrasar as obras das Olimpíadas de 2016 (que num devia nem de ser aqui, tem tanto lugar no mundo melhor, com melhor economia, com mais segurança, e etc.), vai fazer esses Estados perderem cerca de R$4,8 bilhões. Tudo bem também que fosse pra levar dinheiro e melhorias para os outros Estados e Municípios do Brasil.
Mas sinceramente, até eu, mulher vivida, que já fez de um tudo nessa vida sofrida, tava com a pulga atrás da orelha com todas aquelas 80 mil pessoas. Quem realmente tava ali pra fazer justiça? Quem é que tava ali pra lutar por um ideal? Ou melhor, quem entre todas aquelas pessoas sabia o que estava acontecendo?
Um número assustador de pessoas. E eu, Heidi de Todos os Santos, fazia parte dessas pessoas que nem tudo sabia. Não sou ignorante, mas acho que quando uma causa tá totalmente perdida, não vale a pena lutar. O Congresso já aprovou, falta ainda o Senado, e que também já vai aprovar porque a maioria dos senadores é a favor do projeto. E nem mesmo o Presidente Lula vai ser capaz de vetar esse projeto, mesmo se ele quisesse.
Então pra que sair nas ruas, com placas e o escambau, cantando hinos de guerra, e já sabendo que num vai adiantar de nada?
Eu fui lá, num sei porque mas eu fui. Talvez porque a imprensa, com toda a sua manha de conseguir manipular massas inteiras, tenha conseguido me arrastar pra lá.
Mas eu achei tudo uma besteira. E se querem saber minha opinião, minha linda, bela, e verdadeira opinião sobre esse assunto? Então lá vai:
Vê se cresce povo! O julgamento do casal Nardoni tá ai e vocês tão preocupados com a emenda de um deputado cujo mandato foi caçado por corrupção na época do presidente collor!

domingo, 14 de março de 2010

Senhor! Tenha Piedade De Seus Servos

Leiam essas duas noticias que vem abalando o Brasil e o Mundo, e no final tirem suas próprias conclusoes.
A primeira sobre a Igreja Católica:

Igreja católica alemã pede perdão por abusos sexuais contra crianças




O presidente da conferência episcopal alemã declarou-se "profundamente comovido" nesta segunda-feira com o escândalo de abusos sexuais contra menores em instituições católicas do país, e pediu perdão a todas as vítimas.
"Estou profundamente comovido pelos casos de abusos que foram revelados", declarou o arcebispo Robert Zollitsch, na abertura de uma conferência de bispos alemães, que ocorre até quinta-feira em Friburgo.
"O abuso sexual contra um menor é sempre um crime horrendo. Quero me juntar à afirmação do papa Bento XVI, e pedir perdão a todos aqueles que foram vítimas de tais crimes", acrescentou.
Na semana passada, Bento XVI qualificou os abusos sexuais contra menores de "crime odioso" e "pecado grave", após uma reunião excepcional com os bispos irlandeses, atingidos por um escândalo de pedofilia.
Na Alemanha, o escândalo veio à tona em janeiro no colégio jesuíta Canisius de Berlim, onde o reitor reconheceu que vários ex-alunos sofreram abusos sexuais nos anos 1970 e 1980, nos quais estiveram envolvidos pelo menos dois professores jesuítas.
Segundo uma pessoa encarregada pelo colégio de acompanhar o caso, cerca de 120 alunos disseram ter sofrido abusos.
O escândalo se extendeu a outros colégios jesuítas da Alemanha, em cidades como Hannover, Bonn e St. Blasien.
Outros casos foram divulgados envolvendo diversas instituições católicas, como internatos, orfanatos e até um centro para incapacitados.

O segundo é sobre a Assembléia de Deus:





Pastor é preso acusado de pedofilia no Vale do Jequitinhonha

Adolescente mantinha relações sexuais com acusado em troca de presentes e dinheiro

Um pastor da igreja Assembleia de Deus de Rubim, no Vale do Jequitinhonha, foi preso acusado de pedofilia, na noite dessa terça-feira. Manoel Marques de Moura, de 52 anos, foi flagrado pela Polícia Militar (PM) nu com um adolescente de 14 anos, em um campo de aviação. A PM chegou até o pastor depois de uma denúncia feita pela mãe do garoto, que já havia denunciado outras vezes.
Segundo informações da polícia, o menino contou que mantinha relações com Manoel há dois meses em troca de presentes e dinheiro. Na casa e na caminhonete do acusado, a PM encontrou duas armas de fogo, munição e gel lubrificante. O adolescente foi ouvido e liberado em seguida. Manoel está preso na Delegacia Regional de Almenara.

OBS: Onde está o Senhor na vida dessas pessoas?

sábado, 13 de março de 2010

Apresentaçao de Heidi

Pois bem, não reparem se minha escrita não for muito afinada, nunca fui de me dedicar a escrever coisas, sempre preferi falar, contar casos, saber da vida de fulanos e beltranos.
Me chamo Heidi, nasci em Ilhéus, na Bahia, e foi depois que meus pais morreram é que vim pra Mesquita. Mas sou desse mundão, cheio de coisas bonitas, pessoas letradas, imensidão de mar e terra.
Mas esse mundo, minha gente, não é só feito de coisas bonitas, de homens de barriga feita, corpo esbelto, países bem cuidados com gente inteligente. Esse mundo também é cheio de coisa ruim, de político fazendo pouco dos cidadãos, gente desonesta, roubando de quem não tem nem farrapo pra usar. Gente ruim, coisa suja, mundo que fede como lixo. É assim pelo mundo a fora, é assim pelos lugares por onde passei, quando dei por andar esse mundo todo, vendo tudo, querendo enxergar, pra num parecer que eu tava só me divertindo, quando todo mundo tá só tomando no cú.
Perdoem o palavrão. Mas só com essas poucas palavras escritas, já dá pra ver que eu num só de ficar escutando barulho dos outros e ficar quieta na minha. Gosto é de botar a boca no mundo, cuspir na cara do cabra ruim que quiser fazer de vaso sanitário a cara do povo.
Goste ou não de mim, isso é meu pensamento e ai de quem quiser ir contra, pois sou igual Rosa Palmeirão, navalha na saia e faca no peito.
E já como existe gente burra que gosta de ser feita de otária, decidi fazer minha parte nessa história, cuidar do meu e contar, tentar vomitar pra fora as coisas ruins que vi nesse mundo ai.
Essa sou eu, filha de Iansã e Xangô, doidinha por uma guerra. E pelo mundo não foram poucas as que eu enfrentei.